sábado, 26 de dezembro de 2009

ENTREVISTA DA BAILARINA LAIS KOSMINSKI DA COSTA...






Lais no Ballet Coppélia do Brasil





Lais durante o Ballet Les Sylphides, no Theatre du Châtelet, em Paris, 2009, exatamente 100 anos depois da sua primeira apresentação pelo Ballet Russo de Fokine, nesse mesmo Teatro!!!


Essa é nossa querida Lais, Estrela Cintilante que hoje tem sua Luz Formosa, iluminando corações em toda a Europa... Ela deu uma emocionante entrevista por e-mail para Jackeline M. Kotch que também faz parte da História do Ballet Coppélia do Brasil.

Entre conosco nesta viagem emocionante de exemplo de amor ao Ballet Clássico e ao próximo...

Foram feitas algumas perguntas para Lais, as quais ela englobou suas respostas nesta sensível carta:

Meus amigos me perguntam com frequência de onde veio esta vontade de « ser bailarina »… Na verdade, a vontade, no início, não era de « ser bailarina », mas simplesmente a escolha de uma vida diferente da de todo mundo. Foi aos 7 anos que eu decidi tentar o teste de "aptidão física" em uma grande escola de Curitiba. Desse dia, eu me lembro simplesmente de uma imensa fila de crianças cheias de esperança de entrar nesta reputada escola de dança, mas eu sabia que poucos seriam os aprovados! Meus primeiros anos na escola de ballet foram difíceis, não necessariamente pelo esforço físico, mas pelo mental! O amor pela dança nasceu aos poucos, acompanhado do amor pelo combate, pela coragem e a resistência... mas foi o tempo que me ensinou que seria necessário aprender a arte da paciência! Assim começou a minha formação de bailarina, meus primeiros grandes obstáculos e minhas primeiras dúvidas, às vezes, com relação aos meus professores e minha escola, às vezes com relação a mim mesma e ao meu « talento »!!!

Chegou então a época difícil e importante na vida de todos nós… o vestibular e a escolha de uma profissão! A dança, nesse momento, me parecia um sonho impossível... Valia realmente à pena continuar tentando? Qual outra profissão poderia me interessar? Foi então que o inesperado aconteceu… Durante o Festival de Joinville, a vendedora de uma loja de ballet me contou que a filha dela morava nos Estados Unidos, e que ela tinha integrado uma escola de ballet, a escola do Kirov! Até hoje eu não sei dizer por qual razão, mas esta senhora, de SP, me ofereceu toda a ajuda necessária para tentar a minha chance! Porém era preciso preparar uma fita, com uma aula de ballet... Mas para fazer uma fita seria necessário um professor! Para quem eu poderia pedir ajuda? Eu sabia que apesar do imenso amor pela minha escola, e admiração pelos meus professores, para eles eu não seria capaz de entrar em uma das maiores escolas de dança do mundo...!!! Foi pela lista telefônica que eu encontrei Agnalda Trinkel Miranda, a pessoa que mudaria o rumo de minha vida! Foi em DEZ/1998 que abri a porta do Ballet Coppélia do Brasil, sem muita convicção em mim mesma, mas simplesmente por "desencargo de consciência". Eu sabia que essa seria para mim, a última jogada. Pouco a pouco a minha batalha virou a batalha de todos aqueles que dividiam o meu cotidiano, e em especial dessa minha nova família!!! Embora uma agenda carregada, as férias sacrificadas pelas aulas de dança, foi com imensa surpresa que eu recebi a minha aprovação no vestibular de uma grande faculdade! O mês de Janeiro, foi o momento das grandes decisões... Eu sabia que aceitar a derrota prévia a dúvida da vitória, seria desperdiçar a oportunidade de merecer! Assim, eu abri mão da faculdade, pensando que a primeira pessoa da lista de espera faria bom uso da vaga...

A Agnalda sonhava alto... Nós trabalhávamos dia e noite para tentar superar os eventuais defeitos, e embora na dança seja impossível mudar completamente em 2 meses, o que ela me deu foi enorme... eu voltei a acreditar em mim, e a amar plenamente o ballet!

Pouco tempo depois da fita ficar pronta e ser enviada às maiores escolas do mundo , eu tive a oportunidade de conhecer um professor russo. Eu costumo dizer que o Sacha foi a mais forte, a mais rápida e mais importante presença em minha vida! Em apenas 3 dias de aula, ele soube tirar o melhor de mim... E em apenas 3 dias, ele viu o que poucos puderam ver.... Ele me disse que apesar de todos os "insucessos" o mundo não resumia-se ao Brasil, e que embora seja impossível voltar atrás e fazer um novo começo, eu poderia começar novamente e fazer um novo fim!
Essa foi a última vez que eu o vi, mas em minha memória, a lembrança deste homem é eterna! Nesse exato instante, eu entendi que o mais importante na vida é a cada momento ser capaz de sacrificar o que somos pelo que podemos vir a ser, e que acreditar no que nos parece impossível, é essencial à vitória! Eu não sabia, nesse instante o que a minha vida seria hoje, e nem imaginava o quanto essa frase seria importante a cada nova etapa... E no dia 22 de junho/99, eu parti acompanhada de meus pais e da Agnalda em direção do "Principado de Mônaco"!!!

Eu sempre tinha ouvido falar de grandes bailarinos, eu tinha o hábito de vê-los em livros... mas desta vez eu fazia parte desta história. Os grandes bailarinos desfilavam pelos corredores da escola, os mitos do Ballet estavam em todas as paredes da Academia. A diretora, Marika Besobrasova, de 90 anos, foi uma grande amiga de Rudolf Nureyev, entre outros...

A saudade, embora grande, não me sufocava. Em pouco tempo eu fiz amigos inesquecíveis... A adaptação foi rápida, o cotidiano do internato, a vida no principado, as aulas... Eu tinha a impressão de viver um conto de fadas, com princesas e príncipes de verdade!

Um ano se passou e eu sabia que era hora de deixar Mônaco, e seguir em frente... Então decidi fazer uma audição para uma escola em Paris, a capital do ballet! A audição foi um sucesso... mas em Paris eu não conhecia ninguém e a única certeza era que se eu decidisse deixar Mônaco, seria sem volta! Era preciso acreditar mais uma vez no impossível e eu decidi seguir em frente!!! Eu desembarquei em Paris em Julho, sozinha e sem saber exatamente onde iria morar. Foram momentos difíceis... Mas logo começaram as viagens... Eu vivia entre Londres e Paris, entre Milão e Berlim.

Eu dancei nos mais lindos teatros europeus, participei das mais nobres cerimoniais, conheci pessoas de talento, outras mais fama que talento! Minhas novas amizades, meus novos trabalhos me levaram diretamente ao mundo do "show bizz", mas minhas experiências passadas, me prepararam para esta nova etapa, às vezes extremamente complicada! Entre as apresentações em presença da rainha no Covent Garden inglês, as cerimônias em Hollywood e as badaladas festas parisienses, eu me esforçava para continuar a mesma e me alegrar tanto com as realizações como com os projetos.

Em Dez/2004, em turnê na Alemanha, nós tínhamos dançado no dia 25 à noite, e na manhã do dia 26... Em frente da televisão, em um Palácio de Berlim, nós descobríamos as primeiras imagens de um dos mais violentos abalos sísmicos registrados no mundo, e da imensa corrente de solidariedade que o tsunami provocou! No início da tarde, a diretora da Cia anulou todos os espetáculos previstos na Europa e reuniu um grupo de bailarinos para partir em direção da Tailândia, onde com o apoio da Rainha Elizabeth, os ganhos seriam revertidos para as vítimas da catástrofe! Os dias que seguiram a nossa chegada, mudariam mais uma vez a minha vida! O sentimento de impotência face à tamanha destruição era imenso... Além de dançar, nós começamos os primeiros socorros, as primeiras explicações... O mar começava a devolver os primeiros corpos... Eu encontrei o embaixador da Unicef/Tailândia. Algumas semanas depois da minha volta à Paris, meus pais receberam uma carta de agradecimento assinada por ele. Começou neste momento a minha colaboração com a Unicef, minha batalha contra a miséria, e mais uma vez essa impressão de dever, realizar o impossível... mas nesse momento de minha vida o "impossível" já era meu amigo íntimo!!! Vieram as primeiras missões na Somália... O olhar cheio de esperança dessas crianças que lutam todos os dias para sobreviver, dessas pessoas que arriscam a própria vida para defender um ideal! Na volta de uma dessas missões, minha afilhada de 6 anos, na época, me perguntou: "Por que algumas crianças crescem e se tornam adultos, que de tão idiotas têm a certeza de possuir todas as respostas do mundo...? Essa resposta eu sabia de cor, ela estava estampada na distância e na frieza de certos sorrisos, na covardia de certas atitudes e na indiferença de certas palavras. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e a nossa "verdade" impiedosos... Mas mais uma vez, foi o tempo que me ensinou a reconhecer a virtude e que apesar do mundo abundar de pessoas sem escrúpulos, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo... Eu vivi milhões de coisas, e eu cresci como pessoa!!! A dança passou a ser "uma maneira de...", mas não a razão principal, da minha existência! Eu aprendi a dançar pelos outros e não para ver a minha imagem refletida no espelho! Hoje, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de crianças, vítimas de um sistema que leva os homens a torturar pessoas inocentes. A violência gratuita, a inveja, o egoísmo, e todas essas outras coisas que não dizemos, podem nos machucar, mas nunca nos enfraquecer... Minha gratidão à UNICEF e minha fé no trabalho que é realizado, são eternas!


Essa volta ao passado é interessante, pois ela mostra o caminho percorrido, paralelamente a uma carreira particularmente rica. Meus pais, meus amigos, em especial a Agnalda e as crianças que fazem parte de meu cotidiano, são minha maior razão de viver!

Sem pretensão, ter orgulho de suas realizações, amar infinitamente e incondicionalmente sem tomar posse, ser o modelo sem ser necessariamente o exemplo, seguir em frente... sempre!!! Esses são os mais preciosos conselhos que eu poderia dar à todos que estão começando o ballet ou qualquer outra profissão! Se nós sonhamos, realizamos ou não nossos sonhos... mas se a cada dia nós lutamos para nos tornar uma pessoa melhor, e isso independentemente do que decidimos de sonhar, nós ganhamos sempre!!!

Um grande beijo à todos vocês!

Lais

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CURSO DE FÉRIAS DO BALLET ADULTO INICIAL...


Já estão abertas as matrículas para o curso de férias do Ballet Clássico Adulto Inicial, que serão ministradas em JANEIRO DE 2010, duas vezes por semana, com duração de uma hora e quinze minutos cada aula.
Comece o ano fazendo exercícios que farão seu corpo e sua mente estarem em melhor sintonia.
Maiores informações na secretaria da escola com Jackeline ou por e-mail.